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22/02/2009 - Carnaval vira exemplo de eficiência brasileira
Fonte: Jornal o Estado de São Paulo

Apex traz executivos de 23 países para promover os serviços do País

Sete executivos de conglomerados da propaganda mundial vieram curtir o carnaval na Marquês
de Sapucaí. Antes de embarcar para o Rio, eles enfrentaram,em São Paulo, uma maratona
de 253 reuniões, agendadas em dois dias de “matchmaking”, ou encontros de relacionamentos.
Do outro lado da mesa estavam 31 produtoras de publicidade brasileiras, que tiveram 20 minutos para mostrar seus talentos. A ideia desses encontros, patrocinados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), é incentivar a venda de serviços para o mercado externo.

Embora no setor de produção de filmes as iniciativas de matchmaking estejam mais desenvolvidas – graças à parceria com a Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro), que, por meio do projeto FilmeBrazil realizou em quatro anos 302 peças, totalizando uma receita de R$ 62,915 milhões –, a Apex-Brasil quer ampliar o leque de ações e
resolveu aproveitar o carnaval para atrair novos contatos. Buscou parcerias com entidades empresariais de diversos segmentos da economia, onde há potencial de negócios lá fora, e
montouumcamarote na avenida do samba carioca para receber os convidados selecionados
por meio da parceria.

“O carnaval é um atributo brasileiro que mostra a nossa capacidade de organização. É um evento gigantesco, repleto de tecnologia. No ano passado, por exemplo, uma escola pôs
em desfile uma pista de skate emt empo real, o que é inacreditável”, defende o presidente da
agência governamental, Alessandro Teixeira. “Temos de aproveitar a ocasião para mostrar
do que somos capazes e fechar negócios”, acrescenta.

Com inédito investimento de R$ 3 milhões, a Apex trará 105 convidados de 23 países, entre
empresários, executivos e formadores de opinião, que, entre as delícias das festas momescas,
vão visitar, em grupos organizados por afinidades, polos de excelência do País, como o de
tecnologia e informática, em Belo Horizonte; o de máquinas e equipamentos agrícolas, no Rio
Grande do Sul; o Projac, que é a fábrica de novelas da Rede Globo, no Rio; e ainda outros centros de produção de carnes, têxteis e sapatos.

Ainiciativa faz a Apex remar contra a maré, em particular a que prega o descolamento da
imagem do Brasil que gera riqueza, da do Brasil do samba, suor & carnaval, considerada
uma caricatura do País. Para o presidente da Apex não há porque não aproveitar o bônus que
o carnaval gera e, com isso, acrescentar à fórmula a prospecção
de negócios.

Grandes empresas, como a cervejaria AmBev, por exemplo, há muito fazem isso. Foi no
badalado camarote da Brahma no Rio que August Busch IV, o principal herdeiro da então
maior cervejaria do mundo, a americana Anheuser-Busch, foi assediado pela primeira vez
por um de seus futuros compradores, Marcel Telles. No ano passado, já associados à belga
InBev, o trio fundador da Am-Bev, entre eles Telles, comprou a Anheuser.

“Muitos países usam suas festas populares e simbólicas para gerar negócios. Vi isso de perto
na China à época da Festa do Dragão. Ao levar convidados para lá, eles difundem uma imagem de eficiência que abre canais para realização de contatos comerciais”, prega Teixeira.
“Só nunca entendi por que aqui nunca fizemos isso de forma sistemática.”

Os convidados vão conhecer o carnaval por dentro, em visitas a galpões ecom demonstrações
de como se põe em pé esse espetáculo gigantesco. No caso da Apro, que vem montando
eventos em parceria com a Apex-Brasil há quatro anos, o momento é de romper com a mensagem implícita de que filmar aqui custa pouco.

“Não queremos ficar com a imagem de baratinhos”, diz a presidente da entidade, Leyla
Fernandes, sócia da empresa Produtora Associados, embora ela mesma reconheça que produzir comercial no Brasil sai, em média, 30% mais em conta do que rodá-lo na Europa ou nos Estados Unidos.


‘Não vejo a hora de sambar’

●Till Hohmann, diretor nos Emirados Árabes da sócia da Ogilvy, vê o Brasil como uma alternativa
aos projetos hoje rodados no Egito, Tailândia e África do Sul. “A publicidade brasileira é conhecida
por ser criativa”, disse ele após um dia de reuniões, no Museu da Casa Brasileira. Com experiência
de produzir em países latinos como Cuba, Chile e Argentina, o alemão Bem Föhr, da E+P Commercial, uma das maiores produtoras alemãs, também gostou do que viu. Posição similar a de Ryan Menezes, diretor da rede McCann Erickson na Índia, que acrescentou que “jamais conseguiria conhecer um número tão grande de empresas como fizemos aqui em dois dias". Menezes não esconde a alegria de ver o carnaval. “Sempre escutei histórias a respeito e agora poderei ver tudo ao vivo”. Aliás, o diretor
de uma das mais premiadas agências globais, a americana Crispin Porter+Bogusky, Chris Kyriakos,
foi ao ponto: “É cansativo. Por isso, não vejo a hora de sambar”.
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